O avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro tem aberto espaço para um novo nicho de atuação no mercado financeiro: a compra e reestruturação de créditos estressados. Nesse cenário, empresas especializadas passam a atuar como intermediárias entre bancos e produtores endividados, ajudando a destravar ativos e reorganizar passivos em um setor pressionado por margens cada vez menores.
Segundo levantamento da MA7 Negócios, o volume de créditos estressados no Brasil já soma cerca de R$ 120 bilhões, com o agronegócio representando uma fatia crescente desse montante. Estima-se que aproximadamente 15% de todo o crédito do setor já apresente algum nível de estresse.
O movimento acompanha a escalada das recuperações judiciais. Apenas em 2025, estados do Centro-Oeste lideram os pedidos, com destaque para Mato Grosso (332), Goiás (296) e Paraná (248). A pressão é mais intensa no segmento de grãos, especialmente soja, cuja rentabilidade deve cair 47,6%, com margens reduzidas a cerca de 1,7 saca por hectare.
