A análise sobre investimentos em ações de empresas em Recuperação Judicial ganha relevância sempre que o mercado atravessa ciclos de baixa liquidez, juros elevados ou aumento no número de pedidos. Esses fatores ampliam o interesse de investidores por ativos descontados, sobretudo em companhias que buscam reorganizar dívidas e preservar sua atividade econômica.
O Brasil registrou um recorde histórico de pedidos de Recuperação Judicial entre 2024 e 2025. Somente em 2024 foram 2.273 solicitações, o maior volume desde 2006, o início da série histórica. O dado representa uma alta de 61,8% em relação a 2023. Esse movimento ocorre em um ambiente econômico mais pressionado e em um contexto jurídico que ampliou o uso da Recuperação Judicial como alternativa estratégica para empresas de diferentes portes.
Segundo levantamento da FecomercioSP, com base em dados da Serasa Experian, o país tem 7,2 milhões de empresas inadimplentes, equivalente a 31,6% dos negócios ativos, e 73,7% dos pedidos de Recuperação Judicial partem de micro e pequenas empresas, cujo passivo conjunto ultrapassa R$ 140 bilhões.
Esse movimento reacende uma pergunta importante: investir em ações de empresas em Recuperação Judicial pode fazer sentido?
Quando a Recuperação Judicial pode gerar oportunidades
A entrada de uma empresa em Recuperação Judicial costuma provocar queda no preço de suas ações. A desvalorização reflete incertezas sobre a continuidade das operações e a capacidade de pagamento do passivo. Para alguns investidores, porém, esse é exatamente o cenário que pode abrir espaço para valorização futura.
Quando o plano é bem estruturado e a companhia consegue renegociar dívidas, ajustar processos, retomar fluxo de caixa e apresentar sinais de recuperação operacional, o mercado tende a reagir. Papéis depreciados podem se tornar uma oportunidade, desde que o investidor compreenda o risco envolvido e acompanhe de perto a execução do plano.
Essa estratégia é mais comum entre profissionais que dominam análise setorial, monitoram decisões judiciais e entendem como mudanças no processo de Recuperação Judicial afetam o desempenho financeiro.
Como o mercado lê o processo de Recuperação Judicial?
A Recuperação Judicial não é um evento isolado. Ela desencadeia mudanças profundas na rotina financeira, operacional e jurídica da empresa. Entre os efeitos mais observados pelo mercado estão:
- reorganização do passivo e das dívidas financeiras;
- renegociação de contratos com fornecedores e parceiros;
- revisão da estrutura de custos;
- fortalecimento dos mecanismos de governança;
- maior transparência no fluxo de informações.
Essas medidas, quando bem implementadas, costumam aumentar a previsibilidade e a confiança dos acionistas. Em alguns casos, a empresa sai da Recuperação Judicial mais eficiente e competitiva do que antes da crise.
Riscos que não podem ser desconsiderados
Apesar das oportunidades, esse tipo de investimento envolve riscos relevantes:
- volatilidade intensa dos preços;
- possibilidade de não aprovação do plano;
- chance de convolação em falência;
- decisões judiciais que afetam contratos, recebíveis e fluxo de caixa;
- limitações de acesso a crédito;
- cenários macroeconômicos adversos.
O que observar antes de tomar uma decisão?
Alguns elementos ajudam a medir o grau de segurança do investimento:
- viabilidade econômica do plano de Recuperação Judicial;
- histórico da administração e qualidade da governança;
- comportamento recente das demonstrações financeiras;
- capacidade de geração de caixa após as medidas iniciais de reestruturação;
- movimentação e posicionamento dos credores;
- decisões judiciais relevantes e seus efeitos na operação.
Quanto mais transparente for o processo e mais consistente for a trajetória da empresa, maior a possibilidade de recuperação do valor de mercado.
Como o investidor pode se orientar e como as empresas devem agir?
A Recuperação Judicial pode representar risco elevado ou uma oportunidade estratégica. A diferença está na análise. Investidores precisam observar a evolução do processo com rigor; empresas precisam de um plano sólido, executável e juridicamente sustentável.
Aqui no Moraes Jr. Advogados, acompanhamos diariamente companhias em reestruturação, orientando gestores, conselhos e investidores na avaliação dos riscos jurídicos e no desenho de estratégias que aumentam a previsibilidade e fortalecem a retomada das operações.

